5. A vida
é una e indivisível, ainda que suas formas que sempre mudam sejam
inumeráveis e perecíveis. Na realidade não há morte, embora todas as
formas devam morrer. Do entendimento da unidade da vida brota a
compaixão, um sentimento de identidade com a vida em outras formas, a
compaixão é descrita como a "lei das Leis - eterna harmonia", e aquele
que quebra essa harmonia sofrerá proporcionalmente a sua ação e
retardará sua iluminação.
6.
Sendo a vida Una, os interesses da parte serão os interesses do todo. em
sua ignorância, o homem pensa poder batalhar com sucesso por seus
próprios interesses e essa energia de egoísmo, voltada para a direção
errada, produz o sofrimento. a parte de seu sofrimento, ele aprende a
reduzir e finalmente a eliminar sua causa. Buda ensinou as quatro Nobres
Verdade: a) A Onipresença do sofrimento; b) sua causa, o desejo voltando
para a direção errada; c) sua cura, a remoção da causa; d) o Nobre
Óctuplo Caminho de auto-desenvolvimento, que conduz ao fim do
sofrimento.
7.
O Caminho Óctuplo consiste em: Visão Correta ou compreensão preliminar,
Objetivos ou Motivos Corretos, Palavras Corretas, Ações Corretas, Vida
Correta, Esforço Correto, Concentração ou Desenvolvimento Mental Correto
e, finalmente, "Samandhi" (Meditação) Correto, que conduz a Iluminação
completa. Assim como o Budismo é um Caminho de vida e não meramente uma
teoria da vida, o trilhamento desse Caminho é essencial para a
auto-libertação "Cessar de fazer o mal, aprender a fazer o bem,
purificar sua própria mente: esse é o ensinamento dos Budas".
8.
A Realidade é indescritível e um deus com atributos não é a Realidade
final. Mas o Buda, um ser humano, tornou-se o Totalmente Iluminado, e o
propósito da vida é o atingido da Iluminação. Esse estado de
Consciência, o Nirvana, a extinção das limitações do ego, é atingível na
terra. Todos os homens e todas as outras formas de vida contem a
potencialidade da Iluminação e o processo consiste, portanto, em
tornar-se naquilo que você é: "Olha para dentro: tu és Buda".
9.
Entre a Iluminação potencial e a verdadeira fica o "Caminho do Meio, o
Caminho Óctuplo" do desejo à paz, um processo de auto-desenvolvimento
entre os "opostos", evitando os extremos. Buda palmilhou esse caminho
até o fim e a única fé requerida no Budismo é a crença razoável de que
houve um Guia que trilhou esse Caminho e que vale a pena que nós o
trilhemos. O Caminho deve ser trilhado pelo homem inteiro e não apenas
pelo que há de melhor nele. Coração e mente devem ser igualmente
desenvolvidos. Buda foi o Todo Compassivo, ao mesmo tempo que foi o
Iluminado.
10.
O Budismo insiste grandemente na necessidade da concentração e da
meditação interiores, que conduzem em tempo ao desenvolvimento das
faculdades espirituais interiores. A vida interior é tão importante
quanto o corre-corre cotidiano e períodos de quietude para a atividade
interior são essenciais para uma vida equilibrada. O Budista deve estar
atento e consciente de si em todas as horas, guardando-se do apego
mental e emocional ao "espetáculo que passa". Esta vigilante e crescente
atitude em relação às circunstancias, que ele sabe serem sua própria
criação, ajuda-o a manter sua reação a elas sempre sob controle.
11.
Buda disse: "Trabalha para tua própria salvação, com diligência". O
Budismo não conhece qualquer autoridade, salvo a intuição do indivíduo e
essa autoridade é apenas para esse indivíduo sozinho. Cada homem sofre
as conseqüências de seus próprios atos e com isso aprende, enquanto
ajuda seu semelhante, a alcançar a mesma libertação. Não se reza ao Buda
ou a qualquer deus para impedir que efeito se produza a partir de
determinadas causas. Os monges Budistas são mestres e exemplos, e de
nenhuma maneira intermediários entre a Realidade e o indivíduo. A máxima
tolerância é praticada em relação à todas as religiões e filosofias,
pois nenhum homem tem o direito de interferir na jornada de seu vizinho
para a Meta.
12.
O budismo não é nem pessimista nem "escapista", nem nega a existência de
Deus e da alma, embora ele empreste um significado especial a esses
termos. Ele é, pelo contrário, um sistema de pensamento, uma religião,
uma ciência espiritual e um caminho de vida, que é razoável, pratico e
abrange todas as coisas. Por mais de dois milênio satisfez ele as
necessidades espirituais de cerca de um terço da humanidade. ele atrai o
Ocidente porque não tem dogmas, satisfaz igualmente a razão e o coração,
insiste na auto-confiança aliada à tolerância para com outros pontos de
vista, abrange ciência, religião, filosofia, psicologia, ética e arte, e
insiste no homem sozinho como único criador de sua vida presente e
determinador de seu destino.